Mulheres – e esse tal de empoderamento feminino



Demorei muito para entender que uma grande parte das mulheres têm uma realidade diferente, sem acesso à informação, sem um (bom) modelo para se espelharem. É por essas mulheres, que todas nós precisamos nos unir. Só assim, somos fortes – o tal do empoderamento. Eu, na verdade, não sei como isso acontece, mas imagino que seja começando pelo respeito que devemos ter, umas pelas outras. Precisamos desenvolver um espírito de solidariedade, de cumplicidade entre nós, que nos leve para a frente. Não podemos nos enxergar como ameaças ou concorrência, inimigas, rivais. Estamos todas no mesmo barco. E a nossa missão é transformar essa realidade, onde o homem, de um modo geral, se percebe dono do pedaço, com direito a bater, a mandar, a humilhar e até a ejacular na primeira que encontrar pela frente. Nem acredito que isso aconteceu, que foi noticiado e debatido. Coisa mais selvagem, mais animalesca...

O empoderamento feminino significa liberdade e poder. Liberdade de ser e fazer o que quer. E poder para ocupar o espaço que pode ocupar. O empoderamento feminino é bom para todos, homens e mulheres que idealizam um mundo melhor, com mais igualdade e oportunidades. Empoderadas, teremos voz para mudar as leis, para exigir respeito e para sonhar com o futuro.

Cá entre nós, o tal do empoderamento nunca me disse muita coisa. Na minha ignorância, nunca imaginei que as mulheres precisassem de um movimento, de uma luta, de uma manifestação para fazer o que desejam. Explico: nasci e cresci numa família onde as mulheres trabalham, pagam as suas contas, viajam sozinhas e escolhem casar ou não, e onde tudo é possível – desde que haja responsabilidade. Fui educada, não para ser uma mulherzinha, mas, sim, uma cidadã. O casamento nunca me foi apresentado como a solução para comer, viajar ou comprar um vestido, muito menos, uma oportunidade para sobrevivência. Mas, isso existe – só era uma realidade muito distante da minha.

Quando eu ouvia falar que uma mulher apanhou do marido, pensava: apanhou pouco. Se apanhasse mais, tomaria uma atitude. Sempre pensei que existem homens assim, com complexo de superioridade, porque a próprias mulheres não ensinaram aos seus filhos que somos todos iguais e que todos merecemos respeito. Enfim, a culpa é das mulheres. Oh pensamento rasteiro, o meu!

Sônia Pedrosa é redatora da Conceito Comunicação Integrada Aracaju/SE

e colunista do blog: existeumlugarnomundo.com.br


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